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Fenep amea?a ir ? justi?a contra cotas sociais em universidades

Postado por Simone de Moraes

10/08/2012 5:56


Crédito: Ramirez

A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) criticou a aprovação da política de cotas que reserva metade das vagas nas universidades federais atendendo a critérios sociais e étnicos, aprovada esta semana no Congresso Nacional. A entidade ameaça ir à Justiça. Para que a medida passe a vigorar, falta a sanção presidencial do projeto e a presidente Dilma Rousseff é a favor da iniciativa. De acordo com o governo, a medida amplia o acesso de setores menos favorecidos da população ao ensino superior. 

A reserva será dividida meio a meio. Metade das cotas, ou 25% do total de vagas, será destinada aos estudantes negros, pardos ou indígenas de acordo com a proporção dessas populações em cada Estado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A outra metade será destinada aos estudantes que tenham feito todo o segundo grau em escolas públicas e cujas famílias tenham renda per capita até um salário mínimo e meio. 

Má qualidade – Para a Fenep, a medida não corrige a falta de qualidade do ensino público. “A igualdade é garantir para esses meninos [beneficiados pelo projeto] uma escola pública de qualidade. Não é fechando a entrada dos alunos das particulares que você corrige isso. O que temos que discutir na sociedade não são as cotas, mas por que as crianças de escolas públicas não têm condições iguais às que estão na escola particular”, afirmou Amábile Pacios, presidente da entidade. Ainda de acordo com ela, a aprovação da lei faz com que o governo assuma que as escolas públicas do País são de má qualidade. 

Amábile argumenta que a escola particular se tornou a única opção para as famílias devido à qualidade do ensino. “Não queremos ser a única opção. Temos interesse na escola pública de qualidade, o que queremos saber é por que os alunos não tem essa qualidade no ensino público. Estamos resolvendo uma dívida e já criando outra para resolver no futuro”, disse. 

A presidente da Fenep acredita que a solução apresentada para remediar a falta de qualidade do ensino público também cria problemas para o próprio aluno, pública que não tem uma base escolar de qualidade. Para ela, ele estará sendo prejudicado ao ingressar na universidade e comprometendo na busca de empregos e estudos. “Quando você coloca um aluno de escola pública de má qualidade em uma faculdade de quatro anos, ele levará oito para terminar. A qualidade vai amarrar o aluno na caminhada da universidade. Não é fazendo uma lei que vamos corrigir. Temos que melhorar o investimento não só em dinheiro, mas em gestão”, concluiu.