Responsive Ad Slot

Vírus da “zika” em líquido amniótico foi detectado pela Fiocruz

Postado por Kimberlly Oliveira

18/11/2015 10:02


Crédito: Foto: Gutemberg Brito/IOC/Fiocruz/Divulgação

Nesta terça-feira (17), exames de ultra-sonografia foram divulgados, eles traziam o resultado de testes feitos no líquido amniótico de duas gestantes que tiveram contato com o zika virus e cujos bebês foram diagnosticados com microcefalia.

A descoberta de que o zika vírus é capaz de atravessar a barreira placentária e chegar até o líquido amniótico, fluido que envolve o feto durante a gravidez, foi feita pelo Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz), e é algo inédito na ciência mundial.

O Ministério Público convocou uma coletiva de imprensa e, na ocasião, representantes explicaram que a expansão de casos é uma das principais hipóteses para explicar o aumento da ocorrência da microcefalia.

Rodrigo Stabeli, vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirma que “em termos científicos, a descoberta é extremamente relevante. Foi a primeira vez no mundo que se detectou a presença do zika em líquido amniótico”.

Stabeli explica que, como o vírus é muito novo em termos epidemiológicos, ainda não se sabia se ele teria a capacidade de atravessar a barreira placentária durante a gestação. “A placenta é uma barreira natural que previne infecções por vírus e bactérias. Os testes mostraram que o zika tem a capacidade de atravessar essa barreira importante e se concentrar no ambiente gestacional no interior da placenta.”

Método de detecção:
Para confirmar a presença do zika no líquido amniótico, as amostras coletadas nas gestantes foram submetidas a um método chamado PCR (sigla para reação em cadeia da polimerase, em inglês). Essa técnica permite amplificar o material genético do vírus presente na amostra, para que ele se torne detectável. Em seguida, foi feito um sequenciamento parcial do genoma do vírus, o que permitiu identificar que trata-se do zika originário da Ásia, e não da África.

Um dos problemas a serem enfrentados em relação ao surgimento de casos de zika vírus no país é que, diferentemente do que ocorre com a dengue, por exemplo, ainda não há um teste padrão para diagnosticar a doença. “Como o zika é novo, não temos uma padronização nos testes. Para se ter certeza do diagnóstico, é preciso usar a técnica de PCR, que é complexa e não está disponível no mercado”, diz o pesquisador.
No Brasil, somente três unidades da Fiocruz, além do Instituto Evandro Chagas, órgão vinculado ao Ministério da Saúde no Pará, têm a capacidade de fazer esse exame.

“Esses laboratórios têm a missão de desenvolver um método melhor de diagnostico para suprir esse problema epidemiológico. A Fiocruz está preocupada em desenvolver metodologias que possam fazer testes mais confiáveis e menos complexos”, diz Stabeli

• Informaçōes: bem estar